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Aula inaugural

No dia 28 de janeiro, os alunos lotaram o Teatro do CAT Vila Leopoldina para a aula inaugural com o professor Dr. Marcos Garcia Neira, titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), que ministrou a palestra “Os Desafios da Escola na Contemporaneidade”.

O palestrante iniciou a aula com uma crítica construtiva à carreira docente e às instituições de ensino. Apresentou um panorama da atuação dos profissionais da educação, mostrando os desafios que as escolas enfrentam e as possibilidades de ações. A palestra proporcionou uma reflexão sobre as experimentações e inovações que as escolas contemporâneas permitem criar e vivenciar.

Questões de gênero e sexualidade

Na semana de integração acadêmica, a coordenação de cursos promoveu um bate-papo relacionado às questões de gênero e sexualidade. A mesa redonda aconteceu no Teatro do CAT Vila Leopoldina, com a participação de Xërxës - performer e artista visual; Bruno Mendonça - artista, produtor cultural e pesquisador; Fábio Gonçalves Gomes – docente em artes visuais; Diogo da Silva Souza – professor de artes e produtor cultural; e Altair Leonarde – militante LGBTI+.

A apresentação dos convidados levantou questões que estão sendo discutidas na atualidade. Pensar o gênero e a sexualidade em nossa sociedade implica perpassar por questões sociais, históricas, culturais, entre outras. O evento trouxe aos futuros professores um aprofundamento constante dessa temática, presente na sociedade como um todo.

Oficina: Simulação do Ciclo da Residência Educacional

Na primeira semana de fevereiro os alunos ingressantes participaram de uma atividade com o intuito de ambientá-los às práticas desenvolvidas na residência.

O exercício consistiu em uma apresentação inicial com orientações sobre as vivências dos residentes. Após as explicações, os estudantes iniciaram um processo de demonstração, no qual foram divididos em grupos que transitaram por determinados ambientes da Faculdade.

Esses espaços representavam, ora os momentos de orientação, ora a residência propriamente dita. Para esse percurso contou-se com a participação de diversos colaboradores da Faculdade que atuaram em diversas áreas.

A oficina agregou significados e sentidos que contribuem no preparo às rotinas que experienciarão.

BIBLIOTECA

Uma narrativa

Por Filipe Neri

Recentemente, pelas minhas andanças no bairro, encontrei um lugar tranquilo e aconchegante para estudar. Trata-se da biblioteca da Faculdade SESI-SP de Educação, localizada dentro do complexo do SESI, na rua Carlos Weber.

O local é silencioso, próximo de casa e dispõe de ótima estrutura (ar-condicionado, computadores, internet, banheiros limpos). Não bastasse, a bibliotecária Lívia é uma simpatia, sempre atenciosa e gentil.

Vale o registro que não apenas a bibliotecária foi amável. Todos os colaboradores do SESI fizeram questão de me receber muito bem. Veja que eu não possuo nenhum vínculo direto com a instituição.

Esse “achado” veio em boa hora. Sou concurseiro e precisava urgentemente de um espaço silencioso e confortável para estudar. Nas últimas semanas, iniciei uma reforma no apartamento (que parece que nunca terá fim). Assim, tornou-se impossível prosseguir com meu cronograma de estudos em casa, na companhia dos pedreiros, pintores, vidraceiro, etc.

Senti-me extremamente aliviado ao saber da existência da biblioteca em questão. Desde minha primeira visita ao complexo SESI Vila Leopoldina, consegui permissão, sem maiores complicações, para o acesso ao espaço. Essa descoberta foi mesmo super conveniente para prosseguir com meus objetivos como concurseiro.

A postura da faculdade, em disponibilizar de forma gratuita um espaço tão completo, harmoniza-se com o objetivo de difusão do conhecimento. De fato, pela maneira como fui acolhido e pela forma como me foi disponibilizado esse espaço de estudos, não há dúvidas que o acesso à biblioteca configura-se como grande benefício não só a mim, mas, sim, uma benesse para toda a comunidade do bairro da Vila Leopoldina. Sou grato pela permissão de usufruir dessa estrutura.

Livros Novos

BIBLIOTECA

Mais Emprestados de Novembro:

1º. VELLOSO, Renato. Lecionando Filosofia para adolescentes: práticas pedagógicas para o Ensino Médio. Rio de Janeiro, RJ: Editora Vozes, 2012.

Classificação: 107 V552l


2º. VESENTINI, José William. Novas geopolíticas: as representações do século XXI. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2009.

Classificação: 327 V648


3º. PRETTO, Nelson De Luca. Escritos sobre educação, comunicação e cultura. Campinas, SP: Papirus, 2008.

Classificação: 370.1 P942e


4º. ESTRELA, Albano. Teoria e prática de observação de classes: uma estratégia de formação de professores. 4. ed. Porto, PT: Porto Editora, 1994.

Classificação: 371.13 E82t


5º. PAGASSINI, Thales Freire. Chegando à universidade sem as mãos. 1. ed. São Paulo: INC Editora, 2016.

Classificação: 371.9 P147c 1. ed.


6º. BRANDAO, Helena Nagamine. Introdução a análise do discurso. 3.ed. rev. Campinas, SP: UNICAMP, 2012.

Classificação: 415 B733i


7º. BRUICE, Paula Yurkanis; FUTURO, Débora Omena; VALVERDE, Alessandra Leda; RIBEIRO, Carlos Magno Rocha; MURI, Estela Maris Freitas; BEHRENS, Maria; MACHADO, Thelma de Barros (Trad.). Química orgânica. 4. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. v. 1.

Classificação: 547 B91q 4. ed.


8º. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 48. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

Classificação: 869.09 B755h

RESENHAS

A poesia e a formação de professores

Por Professora Mestre Ana Amália Alves da Silva

Haroldo de Campos ensinou-nos que um(a) tradutor(a) de poesia tem que necessariamente ser também um(a) poeta. Afinal, para reconhecer e transcriar (termo do autor) as idiossincrasias dos poemas e saber viver a experiência da alteridade é necessário saber navegar pela arte da leitura e da escrita de poemas.

Proponho uma recontextualização dessa visão: como ensinar poesia, ou melhor, como ensinar a arte de múltiplos poetas e dos diversos movimentos da nossa história literária, sem saber a fundo técnicas da escrita poética? Como ser professor de literatura (como nossos alunos da Licenciatura em Linguagens serão) e conseguir efetivamente abrir os horizontes de seus respectivos alunos às questões próprias do fazer poético? Pensando nisso, planejei a disciplina de Poesia Lírica Brasileira a fim de que as questões teóricas do lirismo nacional fossem contempladas de uma forma prática, com o intuito de que os nossos professores em formação vivenciassem a experiência de também serem poetas em formação.

Nossos alunos vivenciaram os movimentos literários lendo seus principais poetas e estudiosos e foram desafiados a escrever dois poemas a partir de dois conceitos centrais da poesia: o lirismo e a circunstância. A partir disso, os conceitos foram se aprofundando e, ao fim de cada aula, os alunos eram convidados a reescrever um de seus poemas recriando-o a partir das discussões do fazer poético vistas a cada aula. Ou seja, a partir de uma sequência didática que partiu dos elementos dos poemas de cada aluno aliada à ementa da unidade curricular, os alunos percorreram o semestre trabalhando na reescrita de um poema próprio que, ao final do processo, já muitas vezes não se assemelhava à versão inicial, mas carregava os conhecimentos de cada um de forma criativa.

Dentre os desafios, adicionaram versos notáveis de nossos poetas consagrados, aprenderam técnicas como o enjambement, modificaram passagens a partir de características marcantes dos movimentos literários ou das conclusões dos teóricos, sempre com o intuito de descobrir as suas vozes poéticas. Ou seja, foram além da confissão de sentimentos (erro comum de poetas inexperientes) e vivenciaram questões estéticas que desafiam os poetas mais habilidosos, encontrando os caminhos possíveis de escrita poética.

Os poemas, em suas versões finais, fizeram parte da avaliação do semestre (os alunos teceram análises críticas sobre os poemas dos colegas a partir dos conceitos estudados), foram gravados em vídeos no estúdio da Faculdade, serão apresentados no início do ano letivo de 2019 para os demais anos e possivelmente ganharão formato de publicação sob a minha organização. Convido-os a ler algumas produções dos nossos futuros professores-poetas:

“Aprendi com um velho
Deixe-o fugir
Aprendi com outro velho
Sou homem e não posso rir
Aprendi com outro velho
Eu nunca sentirei dor
Aprendi com um velho
Só terei a ti querida
E mais uma vez menti
Hoje estou nos braços de outra
Outra que brilha que geme
Que me faz um homem
Mas assim como eu estou
Ela deixa milhares de mortos, perdidos, largados”

(Trecho do poema O novo velho homem, de Bruno Costa)

“Eu, filho do carbono e do amoníaco
Monstro de escuridão e rutilância
Sofro, desde a epigênese da infância
Vejo
No seu rosto a morte
1 minuto ... (tosse)
Você poderia parar
Para ouvir este poema?
... Tanto era belo...”

(Trecho do poema Corredor urbano, de Jéssica Rodrigues Amador)

“Dentro do ônibus,
Vejo todos os dias
A realidade
Aparente,
Pela transparência de
Seus vidros.

Dentro do ônibus,
Raramente acolhida,
Todas as tardes
Em meio a pessoas
Assim como eu,
Cansadas de mais um dia”

(Trecho do poema Dentro do ônibus, de Thaís Haro Aznar)

“Nesta vasta selva
a visão fria carrega
todo o amor que nos unia”

(Trecho do poema Fruto da existência, de Beatriz Pinheiro Ferreira)

“Não
ouves o grito da agonia?
Não
vês a vergonha no rosto inocente?
Não
falas nada?
Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Silêncio.
Silêncio que mata.
Enquanto me lês confortável
morre uma Rosa
uma Ana
uma Rosana.
Morremos
Todas"

(Trecho do poema Morte da Rosa, de Jeniffer Mayara G. Moreira)

“Em tons de verde enfrenta
Pouco à vontade o alargamento de seu ventre
Seja na busca de se fortalecer
Seja no encontro de seu Ser
Labora a paineira
Acaricia teus ramos
Embeleza aquilo que desgosta
Traga teu cheiro méolo
Aveludado, para tua casca amaciar
Arria estes ferrões que te enlaçam.
Deixe que tuas pétalas rosadas
Tomem o lugar deste florescer invernal.”

(Trecho do poema Paineira, de Rosanna Cerveira Quintas Juares)

“Tanto era bela no seu rosto a morte
O vazio dentro de si se tornou arte
O pintor tem como pincel algo que corte
O seu corpo como uma tela em branco
Que jaz um templo
E a tinta algo que restou da carcaça
Teu sangue.”

(Trecho do poema Pinturas, de Natasha Alexia Feliciano Lima)

VOZ DOS ALUNOS

Super Férias

Por Ezequiel Tavares

A infância é realmente uma das fases mais doces da vida, e o evento Super Férias realizado no CAT da Vila Leopoldina soube demonstrar isso. Estive presente durante onze dias, e ao final creio que foi uma experiência enriquecedora no sentido de que, apesar de estar cursando licenciatura e não atuar na educação infantil ao final da minha formação, é necessário ter em mente sempre de que essa é uma fase que existe e que deve ser levada em conta ao longo do trabalho docente.

Antes de participar admito que fui tomado por um certo preconceito, pois a visão que eu tinha até então, era limitada em ser “babá” durante alguns dias para repor a horas de residência – foi assim que eu fui parar lá e grande parte dos meus colegas também – mas isso provou ser uma opinião muito superficial para definir tudo o que eu vivenciei.

Mas afinal, para quem nunca participou do Super Férias, como eu até pouco tempo, no que consiste o evento? Poderia generalizar e dizer que são apenas atividades recreativas nas quais os pais investem para que seus filhos possam aproveitar da melhor forma possível esse momento tão passageiro de suas vidas, enquanto você (aluno da graduação) deve prestar alguns suportes aos organizadores durante as atividades.

Na realidade, o que realmente ocorre não foge muito disso, mas, é possível ir além dessas burocracias todas? Sim, basta apenas se entregar, pois acredito que não devemos nos limitar apenas a observar as crianças, às vezes é necessário ser uma durante alguns instantes para compartilhar da mesma sinergia e entender o que faz essa fase realmente tão doce. Isso é tão verdade que chegamos a agir dessa mesma forma quando estamos acompanhando uma turma do Ensino Fundamental I, mas se tratando do Super Férias, é diferente, pois são crianças de diversas faixas etárias, de outros lugares (outras escolas de rede pública ou particular) e realidades... Todas no mesmo eco sistema.

Bom, como palavras finais eu gostaria de dizer a você, amigo da faculdade, que caso venha participar do Super Férias, explore o máximo possível esse momento, se aproprie de algumas ideias, faça mais amigos, troque experiências, brinque muito, seja um bom ouvinte... Aproveite a piscina e se possível experimente os donuts e o suquinho de maracujá que é oferecido na hora do lanche, um grande abraço.

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